Portal Cranik

12-09-2012 15:13

Editor e Administrador do http://www.cranik.com : Ademir Pascale - ademir@cranik.com - www.twitter.com/ademirpascale
Entrevistada: Valentina Silva Ferreira

 

http://www.cranik.com/entrevista207.html

 

 

Ademir Pascale: Como foi o início de Valentina Silva Ferreira para o meio literário?

Valentina Silva Ferreira: Olá a todos. Antes de mais queria agradecer a oportunidade de responder às perguntas do Ademir.

O início da Valentina Silva Ferreira é recente. Antes disso, houve a Valentina que só escrevia em diários e dirigia cartas para si própria, fingindo-se outra pessoa. (Ok, paremos de falar de mim na terceira pessoa eheh). Entretanto, entrei na faculdade, fugi do conforto familiar, vi-me sozinha, numa cidade estranha, sem ninguém conhecido por perto e tive que me virar para a escrita para sobreviver à distância. Abri blogs, comecei a escrever contos e a participar em concursos literários (não ganhei nada). O salto deu-se em Novembro de 2010, quando enviei um e-mail para uma revista on-line da Ilha da Madeira, a Magazon, a perguntar se, por acaso, não queriam fazer o favor de ler um conto meu e, caso gostassem, publicá-lo. A sorte esteve do meu lado e comecei a escrever para lá. Entretanto, fiz o mesmo para a Comunidade Literária Benfazeja, para a Infektion Magazine e para a Revista JÁ. Em pouco tempo, tinha uma coluna mensal em quatro revistas. Durante esse período, conheci a Estronho e enviei um conto para o Cursed City. Fui selecionada e, aí sim, a Valentina Silva Ferreira começou a gatinhar. Hoje já dou os primeiros passos, com muito trabalho e dedicação (o Marcelo e a Celly dão uma mãozinha quando as pernas parecem falhar). Em Novembro será lançado A Morte é uma Serial Killer e tenho dois romances guardados no computador. Sei que o caminho é longo, que viver da literatura é complicado. Mas eu só sou feliz a escrever. E pretendo continuar a sê-lo J

Ademir Pascale: Você lançou recentemente o livro “Distúrbio” (Estronho, 2012). Como surgiu a ideia para escrever esta obra?

Valentina Silva Ferreira: Quando entrei para a Faculdade de Direito, em Coimbra, ia com a ilusão de que o curso me daria as ferramentas necessárias para combater coisas que, desde muito cedo, me incomodavam. A pedofilia era uma delas. Porém, rapidamente percebi que as coisas não são tão lineares quanto isso e que eu não poderia salvar todas as crianças do mundo. Escrever o Distúrbio pareceu-me, na altura, a melhor maneira de gritar que as coisas estão erradas; que é preciso fazer mais, abrir os olhos, saber observar os detalhes que se escondem por detrás das hipocrisias e denunciar. Primeiro, pensei em fazer um livro com características legais. Depois achei que isso não era o fundamental. Importante, sim, era chocar as pessoas e fazê-las perceber que aquilo existe e com grandes probabilidades de ser na porta ao lado.

Ademir Pascale: Poderia destacar uma frase do livro “Distúrbio” especialmente para os nossos leitores?

Valentina Silva Ferreira: Transcreverei um pequeno parágrafo do final do livro que demonstra exatamente aquilo que a Rossana sempre quis: paz.

“Rossana estancou perante aquela imagem que refletia uma felicidade inigualável. E ali, sentiu subir em si uma esperança de neve, um apetite climático pela brancura e pelo despojamento. Queria apagar o vermelho, cor do sangue, de sua cabeça. Queria eliminar o castanho, cor da terra, e o preto, cor da dor, de todo o seu ser e apenas queria viver na cor branca.”

Ademir Pascale: Como participante em diversas antologias, qual mais lhe marcou e por quê?

Valentina Silva Ferreira: Esta pergunta é complicada. A variedade de antologias que aparecem é tão grande que, quando sai o regulamento de uma, acho sempre que aquela é a tal e entrego-me completamente à escrita do conto. Mas depois aparece outra e outra e outra e, aí, torna-se difícil dizer qual a favorita. Mas, claro, tenho um carinho especial por algumas. Cursed City (Ed. Estronho, 2011) por ter sido a primeira. Sexo, Livros e Rock & Roll (Ed. Estronho, 2012) porque me diverti imenso a escrever o “La Bamba, Esposas e Amantes”. A seleção para a Erótica Fantástica (Ed. Draco, 2012) encheu-me de felicidade pois tenho uma preferência especial para contos eróticos. Por fim, A Polêmica Vida do Amor (Ed. 8 e Meio, 2011) reúne contos controversos e tão bons que eu só poderia ficar contente de integrar o grupo de autores.

Ademir Pascale: Além de escrever contos e romances, você administra o blog português http://paraisobiblioteca.blogs.sapo.pt. Fale mais sobre ele.

Valentina Silva Ferreira: Agora fiquei envergonhada porque, infelizmente, o blog está parado há meses, por falta de tempo. É um espaço de resenhas, entrevistas, contos meus e de outros autores, divulgação de concursos literários, dicas de livros e tudo o que tenha a ver com literatura. Talvez um dia regresse ao blog, possivelmente com um conteúdo mais leve pois, antes, eu escrevia todos os dias e isso ocupava-me muito.

Ademir Pascale: Quais dicas daria para os leitores que desejam ingressar com êxito no meio literário?

Valentina Silva Ferreira: Direi o que todos os escritores, bem mais experientes que eu, dizem: escrever muito, todos os dias se possível. Ler todos os géneros de literatura também é importantíssimo pois só assim poderemos nos identificar com este ou aquele livro e, a partir daí, desenvolver o nosso próprio estilo. Ver filmes, documentários, ouvir música. Viver. Não basta ter a técnica e o talento para a escrita. É preciso viver, sofrer, amar. Não ser normal. O estereótipo não faz parte da literatura. É fundamental ouvir as outras pessoas, aceitar as críticas de quem entende do assunto, perguntar, tirar dúvidas, debater. Ser humilde e saber procurar ajuda. Escrever (sim, novamente). Não apenas quando a inspiração aparece – que eu não acredito na inspiração como uma entidade que desce dos céus – mas sempre! Principalmente quando não nos apetece por estarmos doentes, tristes, desanimados. Acreditem que, nesses momentos, saem as melhores coisas de dentro de nós.

Quando comecei a ser selecionada para muitas antologias, isso funcionou como uma espécie de incentivo. Eu era selecionada e queria mais ainda. Então, fui escrevendo para tudo quanto era antologia. Erro! Felizmente, o Marcelo (editor querido que me puxa as orelhas quando é preciso) avisou que existem antologias e antologias. Que não vale a pena ser selecionado para todas e que isso não prova talento nenhum pois, enquanto umas são organizadas com base na qualidade dos textos, outras funcionam de forma completamente diferente. O conselho foi tomado e, agora, só escrevo para aquelas que me chamem muito a atenção e que eu já conheça minimamente o trabalho do(a) organizador/editora. Portanto, futuro escritor, mais não é melhor. Eu sei que a ânsia de querer ser publicado é muito grande mas precaução e bom senso são essenciais.

Ademir Pascale: Quais os procedimentos para os interessados que desejam adquirir seus livros?

Valentina Silva Ferreira: Bom, os leitores brasileiros podem fazê-lo através da Livraria Estronho (www.estronho.com.br/livraria) ou das livrarias físicas que, se não me engano, estão discriminadas no site da Estronho. Os leitores portugueses têm um pouco de dificuldade para adquirir os livros porque o frete entre Brasil e Portugal sai muito caro. No entanto, esta situação está a ser analisada pela Editora e poderá mudar em breve.

Perguntas Rápidas:

Um livro: Lolita (Vladimir Nabokov)
Um(a) autor(a): Carlos Ruiz Zafon
Um ator ou atriz: Anthony Hopkins
Um filme: “La piel que habito” (realização de Pedro Almodóvar).
Um dia especial: O dia em que o M.D.Amado disse que queria publicar o Distúrbio.

Ademir Pascale: Deseja encerrar com mais algum comentário?

Valentina Silva Ferreira: Quero agradecer, mais uma vez, o convite para esta entrevista e convidar todos os leitores para os eventos que a Estronho está a organizar, em Novembro, e que contarão com a minha presença. Boas leituras.